6 de outubro de 2011

Educação dos Filhos: Birra de Criança x Firmeza e Tolerância dos Pais


Seria um fim de tarde tranquilo, quase normal se o menino não tivesse ficado contrariado e resolvesse fazer uma birra, de deixar irritados até os pais mais tranquilos do mundo.
Tudo começou quando ele chegou em casa e percebeu que o irmão tinha ido pra casa do Daniel (até então era amigo só do menino) pra brincar de vídeo-game. Então a criança resolveu começar a choramingar.

- Mãe, mãe...  num tá certo isso. O Raf foi lá só por causa do x-box.
a
Eu ouvia silenciosamente pra não dar corda.
a
Dali a pouco ele resmungava.

- Isso não é justo. O Rafa nem gosta do Daniel, é um baita interesseiro.

Rodou, virou  e mexeu e lá voltou o resmungão "me aconselhando":aa- Olha mãe, eu acho melhor o Rafa não ir lá na casa do Daniel não, porque..

Aí eu brequei e disse firme:

- Jorge Lucas, por favor, qual é o problema? O garoto veio aqui e convidou o menin...

- Ah mas você não sabe o que eu ouvi do Rafael?Ele.... ele...

- Ah Jorge, pode parar. Qual é o problema dele ter ido brincar um pouco com o Daniel. A amizade é algo que leva um tempo pra acontecer.

- Num é nada disso mãe. Ele só está interessado no x-box.

- Jorge, eu entendo, mas eu acho que até é normal a gente querer se aproximar de pessoas que tenham os mesmos interesses que a gente.Você está exagerando e é melhor parar imediatamente com isso.

Quando eu disse isso, meu Pai, o menino virou uma onça.Olhou pra mim com muita raiva e começou a esbravejar.

- Ah mãe, fica aí, cê nem deixa a gente falar, vai acreditando no coitadinho lá vai. Isso, fica achando que o Rafa é um Santinho, fica aí sua mentirosa, fica.....

- Opa... pode parar. (aqui, quem virou uma fera foi eu)

- JORGE LUCAS, vai pra sala e sente-se lá até se acalmar.

E aí fui colocar os pingos nos is.Gente, a criança ficou possessa. De repente ele começou a chorar e com aquele choro gritado Unhém, Unhém, Nam, Nam, Nam...

E dizia que eu não escutava ele e que isso e mais aquilo.Fez tudo para que eu me descontrolasse para que ele pudesse fazer o jogo do coitadinho.

Unhém, Unhém, Nãm, Nãm....................

Eu fui para a cozinha e deixei o birrento lá.
Não disse uma só palavra.

Lá da cozinha eu escutava os chutes que ele dava no sofá, então cheguei na porta da sala e disse firme: - Se continuar chutando assim, vai quebrar o sofá.

- Eu não tô chutando nada.Unhém, unhém, unhém, nãm, nam. (Parou de chutar, lógico)

Deixei que ele chorasse o quanto ele quisesse, mas confesso, foi muito difícil. Eu já estava cansada, agoniada com tudo aquilo.Queria ser justa, compreensiva e por isso deixei que ele expressasse o seu sentimento.

Vieram os outros dias e então teve a gota d'água.
Novamente outra lenga lenga.

- Porque o meu irmão, porque não é justo. E a coisa já ia descendo a ladeira e aí não teve jeito. Precisei de ser muito firme porque agora o garoto resolveu que se ficar contrariado, ele chuta a cama, o sofá, e se não formos firmes, daqui a pouco ele chutará a mim e ao pai dele.

Cortamos aquela lenga lenga.Quase levou uma boa surra.

Cortamos computador e tomamos a decisão de não permitir que um faça fofoca ou provoque o outro, custe o que nos custar.(independente de quem seja o fofoqueiro, se o mais novo ou o mais velho)

Muitas vezes na tentativa de ser justos com os nossos filhos, acabamos dando  a impressão de que eles estão no controle, que podem determinar o que e quando fazer certas coisas.

Não observamos quando as situações estão saindo do nosso controle de pai e mãe e isso é muito sério e até perigoso.

Quando o Lucas percebeu que fazer fofoca e ficar de disse que disse não ía dar jogo, ele mudou.

Claro, que ele ainda tenta voltar ao padrão antigo.
Mas aí é só olhar para ele com aquele baita olho que ele já entende.

Definitivamente, educar uma criança, especialmente os nossos filhos não é algo simples.

Temos a tendência de ficar com dó, de passar a mão na cabeça ou então, no outro extremo, de ser um Capitão Nascimento dentro de casa.

Nenhum dos lados é saudável.
É  importante ter cuidado pra não ser molenga e nem ser um tirano.Na hora de ser firme precisamos ser firmes e ponto final.Sem medo de estar errado.

Educar uma criança é a garantia de que ela poderá crescer de forma saudável e que aprenderá os limites que ela precisa ter em casa, na escola e na vida.

Realmente, educar dá trabalho porque exige da gente muita paciência e presença.

Exige que estejamos atentos nas pequenas e grandes atitudes de nossos filhos.

Não é fácil.Tem dias que eu não estou com paciência para tanta lenga lenga. Eu compreendo que, de vez em quando, a criança lança mão da birra para chamar a atenção ou por não saber como manifestar a irritação que sente, mas não posso deixar que ela utilize da birra como jeito de comunicar, pois isso traz angústia e irritação para todos em casa.

O melhor a fazer é cortar este comportamento no início, não dar corda, sem ficar tão preocupado de cometer um erro com o filho.

Afinal, o adulto da história é o pai e não a criança.


15 comentários:

  1. Realmente eles tentas, nos experimentam pra ver até onde vamos e até onde eles podem ir...São danados,rs beijos,(mas nós tb o fomos...) chica

    ResponderExcluir
  2. Ai Chica.
    Você tem razão amiga, e como tem.
    Mas tem hora que dá uma vontade de sair correndo,né.
    beijos.

    ResponderExcluir
  3. Certíssima.
    Nós somos as mães e pais.
    Detesto birra e confesso que não lembro de um dos meus fazendo isso.
    Aqui mando para o quarto chorar e mando fechar a porta para não me incomodar.
    kkkkkkkkkkkkkkkkk
    Temos que cortar logo no início.
    Confesso que eu ando amolecida com meus filhos, mas tem o pai para cortar meus mimos. Rs
    Porém, há momentos que perco a paciência e dou dois gritos firmes e pronto. Tudo se acalma e volta ao normal.
    Xeros

    ResponderExcluir
  4. Eu entendo bem como é.
    Mas é como dizem, eduque seu filho hoje e ele não sofrerá amanhã.
    As decisões certas às vezes são as mais dolorosas.

    Obrigado pelo comentário, fico muito feliz que tenhas gostado.

    Abraços

    ResponderExcluir
  5. Oi Liliane, tô chegando agora, amei o seu Blog. Ah com certeza, como diria Prof. Içami Tiba, QUEM AMA, EDUCA! Eu ainda não tenho filhos, mas venho de uma educação bem firme da parte dos meus pais, aqui em casa não tinha esse negócio de birra não, e olha que sou filha única, Rssss. Todo mundo fala que ser filha única faz da gente uma pessoa mimada, eu acho que não, e não me vejo como uma pessoa mimada, vejo tantas pessoas com mais filhos e esses filhos mimados e totalmente fora do controle dos pais que dá dó. O papel dos pais é fundamental, a forma como colocar limites, como nos ensinar as coisas da vida, desde de cedo, ajuda a desenvolver nosso caráter e nos preparar melhor pra vida, afinal, aqui "fora" o mundo não é fácil, e precisamos aprender isso desde de crianças. Bjus Flor, espero sua visita lá no meu cantinho. Tudo de bom!!!!

    ResponderExcluir
  6. É difícil sim e digo que mesmo eles grandes continuamos a repetir sempre as mesmas coisas, agora em um outro tom, com outra forma de falar, mas as mesmas coisas.
    Isso é necessário sim porque estão em formação e vc e pai deles são a base que eles vão carregar pela a vida afora.
    Paciência... paciência, paciência.
    E tente ouvir mais eles, só ouvir e depois de esgotar tudo o que têm pra falar, aí vc fala o que acha e o que é certo. Acho que eles ficam mais confiantes sabendo que eles podem falar sobre qquer coisa com vc e com o pai.
    É difícil sim, e como é!!

    Beijossss

    ResponderExcluir
  7. Oi Aninha
    rs
    histórias pra deixar os pais de cabelo em pé
    ufa
    o Jorge sempre foi mais temperamental, desde bebezinho
    mas aprendi a contornar as situações;
    que bom que vc é firme
    e tem o seu esposo que ajuda na criação dos meninos.
    Isso ajuda a balancear as coisas

    beijos;

    ResponderExcluir
  8. Isso mesmo Iara.
    os pais que gastam mais tempo educando seus filhos, reconhecem que depois acabam tendo menos trabalho;
    obrigada pela presença
    beijinho
    adorei o seu blog.

    ResponderExcluir
  9. Liliane,

    Gostei da forma como abordou o tema: primeiro, reproduzindo criativamente um diálogo que aconteceu entre você e seu filho; depois, expondo o assunto através de um texto opinativo.

    Eu já tive experiência parecida com meu sobrinho, quando ele era criança. Quando ele birrava, eu não cedia; ele, então, como não tinha alternativa, se conformava.

    Na sala de aula, quando eu trabalhava com pré-adolescentes, eu ficava com dó quando alguns perdiam nas provas. Mas, devido à minha postura como educador e pelo fato de gostar deles, eu jamais aprovei ninguém movido por sentimentos. Caso contrário, eu não daria a eles a oportunidade de evoluírem intelectualmente.

    Beijos, Liliane.

    ResponderExcluir
  10. Este comentário foi removido por um administrador do blog.

    ResponderExcluir
  11. Ui, ui, ui!! Sou mãe molenga, acabei de crer!! Jorge Lucas ficou frustradíssimo porque também não foi convidado para jogar - As crianças amam o xbox!! Que ciúme ficou dessa amizade! Por que o irmão não o inclui da próxima vez? (rs*)
    Me lembro de uma birra que fiz quando criança - A primeira e única - devo ter chorado 3 dias seguidos por um brinquedo - tinha 3 anos - mas não foi culpa de mamãe - ela procurou pelo brinquedo e não achava para comprar. Sosseguei porque ela me fez andar muito para presenciar a sua dedicação. O ruim da história foi o meu primo que egoísta não quis compartilhar o brinquedo. A mágoa ficou e tenho um pé atrás com ele até hoje. São coisas que ficam registradas e não sabemos no futuro em qual momento elas virão à tona. A birra nem sempre é inerente a uma criança mimada - há de ver porque ele está com a auto estima tão baixa.
    Boa semana! Beijus,

    ResponderExcluir
  12. Tá certíssima, Liliane. Como se dizia antigamente, "educar as crianças para não precisar punir os homens."

    Abraços. paz e bem.

    ResponderExcluir
  13. Passei para desejar uma ótima sexta-feira!
    Bjo Bjo

    ResponderExcluir
  14. Liliane,

    Não sou mãe, mas se pedisse para os meus sobrinhos me definirem, com certeza me nomeariam o Capitão Nascimento, ahahahah.
    Tenho horror a criança birrenta, mas hoje já compreendo o porque delas terem tais atitudes e que a persistencia em tal costume vai depender diretamente do comportamento dos pais no momento da 'provação'. Acho que filhos testam os pais constantemente. E a maioria que vejo por ai, ai ai, são molengas em excesso, dá até raiva.
    Mas....ainda terei os meus, se Deus assim quiser. E terei meu proprio tempo de aprendizado. Por que teoria uma coisa...prática são outros 500.

    Beijos
    Obrigada pela visita.

    ResponderExcluir
  15. Olá, Liliane! Vim agradecer sua participação lá no meu blog e fazer uma visitinha pra você. Realmente educar é uma arte. E pai/mãe (principalmente mãe) presentes é fundamental para o desenvolvimento dos nossos filhos. Carinho e atenção é o que eles "clamam" o tempo todo e se pudermos dar isto a eles já é meio caminho andado para boa formação de pessoas tão especiais que são os nossos filhos. Adorei seu blog, seus textos e estou te seguindo também. Super semana e beijo da Eunice Maria.
    http://efacilserfelizartesanais.blogspot.com/

    ResponderExcluir

Fico muito feliz por estar aqui. Fique à vontade, deixe seu comentário e enriqueça este lugar.

Recadinho Procê

"Copiá num Vale!"
É feio e ilegal.
Além disso você tamém sabe fazê coisa bunita!
Espia o que acontece Quando o Caipira Resorve Copiá.

"Nóis tá Protegido"

myfreecopyright.com registered & protected