Sempre ouvi falar de respeito.
Achava que respeitar era fazer de conta que obedecia para que outro, o mais velho, não ficasse bravo.
No meu caso, o mais velho era meu pai que sempre chegava bêbado em casa.
Ele era mais velho que eu.
Era mais alto, mais forte e muito mais bravo que a minha mãe.
Eu tinha de ter muito respeito!!!
Quanto mais respeito eu tinha, menos louça era quebrada.
Mais sossego para todos.
Me diziam para respeitá-lo porque ele era meu pai.
Então eu obedecia.
Eu respeitava.
Eu respeitava.
Eu era a Criança.
Ele o Adulto.
Entretanto, quem exercia o controle era eu.
Tinha de controlar meu medo, meu choro, minha angústia e solidão.
Tinha de controlar a raiva e a vergonha que moravam dentro de mim.
Provocar alguma encrenca pra ver se ele acordava era inútil.
Vivia dormindo acordado, às vezes acordava dormindo.
Eu era a Criança.
Ele o Adulto.
Não deveria ele ser o responsável por me ajudar a crescer?
Não deveria ele me respeitar, seguindo a ordem natural das coisas?
"O mais velho ensina o mais novo e o mais forte protege o mais frágil?"
Eu era a Criança.
Ele o Adulto.
Alguma coisa estava errada.
O tempo passou...
Depois de tudo, aprendi o significado da palavra respeito.
Eu sou Adulta.
Ele....
Bom - ele virou criança de novo!
Bom - ele virou criança de novo!

Voce tem o dom, escreva. Mais e mais. Bjs
ResponderExcluirLeila caríssima
ResponderExcluirMuito grata por sua visita no blog.
Agradeço sua preciosa atenção e motivação constantes.
Com carinho
Liliane
Fiquei emocionado com seu texto, parecia que era eu.
ResponderExcluirmeu pai bebeu a vida toda, faz pouco tempo ficou doente na cama, e os filhos é que ajudam.
Realmente virou criança de novo.
É a realidade de muitos alcoolatras.
Infelizmente. Abraço
Anônimo,
ResponderExcluirComo você mesmo diz, esta realidade atinge a muitas famílias.
Você e certamente seus irmãos são bem humanos e hoje ajudam seu pai.
Meus parabéns.
É uma atitude muito amorosa.