15 de agosto de 2013

Eu respeito, tu respeitas, ele respeita. Será? E o plágio na Cozinha?

Era uma vez, uma senhora muito bondosa que, diariamente, levantava muito cedo para buscar leite no curral que ficava muito longe de sua casa.
Ela trazia duas pesadas latas de leite que depois de fervidos, transformavam-se num delicioso doce que desmanchava na boca. Tinha o doce de leite com coco, doce de leite com amendoim, doce de leite com ameixa e o doce de leite puro (em barra e em pasta).
Desta forma, Dona Regina tocava sua vida e ajudava a criar os seus cinco filhos.De manhã, buscava o leite e fazia o doce. À tarde, embalava os doces com muito capricho e saía para vender na região.
Estava tudo muito bem com a dona Regina até que apareceu na cidade uma jovenzinha muito diferente.
Era metida a empreendedora e muito ambiciosa.Queria ter lucro em tudo e vivia metida em confusão com os produtores rurais da cidade.
Cada hora era uma coisa.
Ela fazia de tudo para descobrir as receitas caseiras dos doces e quitutes que os produtores rurais vendiam  e tentava de todos os modos conseguir que os feirantes vendessem seus produtos para ela revender na cidade e manter bonita a sua loja, o seu grande atacado.
Alguns até cediam as receitas ou não se importavam de ver os seus produtos expostos na loja da moça como se fossem fabricados por ela, mas não era assim que a dona Regina pensava.
Dona Regina aprendeu a fazer os doces de leite com sua avó, quando ainda era menina e não estava disposta a ensinar a receita para uma pessoa tão encrenqueira como aquela mocinha.
O problema é que os doces da dona Regina eram um show. Eram na verdade deliciosos e faziam muito sucesso na região. Algumas pessoas vinham de longe pra encomendar os doces e a mocinha da loja não conseguiu arrancar a receita dele de jeito nenhum. E isso sim é que foi o problema daquela encrenqueira. Ela sentia muita inveja do talento da dona Regina e não estava gostando nadinha de não conseguir vender os doces na sua loja.
Teve uma semana que dona Regina vendeu muito doce. Várias pessoas foram em sua casa para comprar e também  apareceu um moço muito elegante e disse que queria comprar uma quantidade grande de doces para levar para os parentes que moravam em outra cidade. Dona Regina achou até muito bom, pois ela realmente estava precisando de um dinheirinho extra.
Dias depois, dona Regina precisou ir à cidade para passar em uma consulta médica e acabou encontrando com uma comadre na rua.
- Oh Regina, saudade docê muié. Quanto tempo!
- Pois é Fatinha. Ando mesmo um pouco sumida. Estou com um probleminha de saúde e não pude vir aqui na cidade.
- Então menina. Eu senti mesmo sua falta, ainda bem que no mercado Central vende de tudo né. Recebi umas visitas e pedi às crianças para buscarem uma sobremesa lá no mercado e eles trouxeram um doce de leite muito bom. Até parece com o seu.
- É? Mas eu nem fiz doce esta semana...
- Ah, mas esse doce não é o seu não. É a mãe da dona que faz e fica maravilhoso também viu.
- Bom, preciso ir embora. Qualquer dia, passo em sua casa para a gente conversar.
As duas foram embora e dona Regina ficou com a pulga atrás da orelha. Que história é essa? Um doce igual ao meu? Naquele mercado? Justamente lá?
Como dona Regina estava muito cansada para procurar pelo em ovo, resolveu ir pra casa para organizar as coisas.
Na manhã seguinte, ela retomou as atividades e saiu para vender os seus deliciosos doces de leite.
As vendas não foram muito boas, mas ela pensou: Ficar parada sem trabalhar não é nada bom. Acaba espantando os bons fregueses.
Quando ela chegou na última casa, a dona estava chegando com um tanto de sacolas. Cumprimentou a dona Regina e perguntou:
- Ué Regina, voltou ao trabalho? Eu fiquei sabendo que você tinha parado com os doces.
- Parado? Eu?
- É ué.... Eu até comprei uns lá no Mercado Central porque achei que você não fosse mais trabalhar com isso.
- Você está com os doces aí?
- Claro! Vamos entrar para você ver.
A mulher foi tirando as compras da sacola e dona Regina foi ficando ansiosa. Dava um sorrisinho amarelo para disfarçar a curiosidade e a dúvida e quando vê - lá estava o doce.
O mesmo formato, a mesma embalagem.
E o sabor? Qual seria?
- Experimenta Regina. Este doce é de fabricação própria do Mercado Central, viu. É a mãe da dona quem faz. Olha que gostosura.
Regina experimentou calmamente o doce e quase engasgou de raiva.
Era o seu doce. O mesmo doce comprado por outras pessoas em sua casa e levado para ser vendido no mercado. Só tiraram o rótulo pra disfarçar.  E ainda com esta conversa mole de fabricação própria.
Dona Regina respirou fundo e tirou uma peça de doce de sua bolsa e pediu para a amiga avaliar a embalagem, o formato e o sabor.
A amiga não podia acreditar. Como alguém podia ser tão cara de pau!
Como não conseguia a receita do doce e também não conseguiu convencer a dona Regina a vender o doce por um preço mais baixo, a dona do Mercado Central  arrumou algumas pessoas para se fingirem de compradores do doce da dona Regina.
Que coisa mais feia é a inveja e a ganância!
Dona Regina foi imediatamente ao Mercado Central e mostrou para todos os que estavam presentes que aquele doce, vendido no Mercado era seu, era produzido por ela. Ela era a dona da receita e não a mãe da dona do mercado.
Era uma questão de princípios. Dona Regina não queria fingir que não estava vendo aquela mentirada.
- Quer fazer bonito? Faça com o seu chapéu! - disse dona Regina. Se você fosse correta, não haveria problemas de eu colocar os doces aqui para a venda. Nós duas podíamos lucrar. Mas agora, vendo o seu caráter é que eu percebo que não dá para ser amigo de quem mente e copia o trabalho dos outros.
- E porque você tirou o rótulo da embalagem? E por que falou pros outros que eu não fazia mais doce?
A moça do mercado ficou toda nervosinha, achando um absurdo ela vir tirar satisfação. O mercado era dela e nele ela tinha o direito de "vender" o que bem quisesse.
Realmente a moça ficou muito sem jeito quando viu as pessoas devolvendo o doce na prateleira do mercado e gritou bem alto.
- Você devia sentir-se orgulhosa de eu vender esta porcaria aqui no meu mercado!!! Leva isso embora, não precisamos disso não!
Dona Regina não pensou duas vezes. Ela e a amiga recolheram os doces das prateleiras e distribuíram para os clientes do mercado, justificando o ocorrido.
Depois daquele dia, dona Regina conseguiu o apoio de alguns amigos na cidade e abriu uma pequena, mas bonita e aconchegante doceria, num ponto bem legal.
Agora, ela não precisava mais bater de porta em porta para vender os seus deliciosos doces e ela percebeu que valia a pena defender o direito de ter sua receita. Agora, dona Regina também era uma empresária.
Mas aquela chatinha do mercado, quando fica com vontade de comer um doce gostoso, manda um moleque  qualquer  ir lá na doceria comprar uns doces. Dona Regina sabe disso e de propósito, dentro da sacolinha, sempre coloca uma barrinha a mais, pra ver se adoça a vida daquela invejosa. Quem sabe um dia ela aprende que não deve invejar o trabalho do outro e nem tirar proveito disso. Quem sabe?
Afinal, eu respeito, tu respeitas, ele respeita. Será? E o plágio na cozinha?

Esta é minha reflexão na blogagem coletiva feita pela minha tão querida amiga e culinarista Regina Castro. Editora do Blog NacoZinha, a Regina tem um talento incrível, mas fica aborrecida de encontrar pela rede muitas pessoas parecidas com a moça do Mercado Central.
Quantas pessoas que, em nome de publicidade, cliques e curtidas no facebook, roubam descaradamente imagens e fotos dos blogues de gastronomia e culinária e ainda publicam receitas como se fossem suas.
Como a dona Regina, da história - é uma questão de princípios. Copiar e colar sem dar os devidos créditos não é uma atitude legal.
Imagine se houvesse um jeito da gente fotografar o filho dos outros - aqueles filhos lindos - e de repente eles se tornassem pessoas de verdade. Então, a gente matriculava o nosso pseudo filho na mesma escola do menino fotografado e sairia por lá desfilando com o moleque e falando que a mãe do outro roubou o seu filho. Não seria estranho demais?

Plágio é crime. Disso todo mundo sabe. O que a gente não sabe é que não adianta xingar o político de ladrão e corrupto, se a gente se permite estas pequenas grandes corrupções. Deu pra entender?

Aproveito e deixo pra você conhecer O que acontece quando o caipira resolve copiar. Uma história engraçadinha pra refletir, principalmente com a criançada que precisa desde cedo entender que copiar e colar não é legal e não traz futuro pra ninguém.

Quero abraçar a Gina e agradecer por ela ser tão fantástica no que faz. Foi aniversário dela esta semana e peço ao Papai Criador que a abençoe muitooooooooo.

Para conhecer a blogagem coletiva promovida por ela é só chegar aqui.

Grande abraço pra você, querida amiga.
E para você que veio aqui, o meu carinho sincero.






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Recadinho Procê

"Copiá num Vale!"
É feio e ilegal.
Além disso você tamém sabe fazê coisa bunita!
Espia o que acontece Quando o Caipira Resorve Copiá.

"Nóis tá Protegido"

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