Os meninos já vão e voltam da escola sozinhos.
No começo a gente sempre acompanhava o trajeto, mas agora eles gostam e fazem questão de se virarem.
O problema é que pra fora do portão nós não conseguimos controlar o que acontece.
Lá fora eles encontram pessoas de todo o jeito.
Existem os amigos e aqueles que se acham.
Um dia desses, o mais velho demorou um pouco mais pra chegar em casa e eu fui atrás.
Ele sempre passa na casa do amigo e realmente estava lá, conversando com a família. (que eu conheço)
No retorno da escola, um garoto resolveu tomar satisfação com os meninos porque estes contaram para o professor que ele estava fora da escola, matando aula.
Então o sr. Valentão os intimidou, empurrou da bicicleta, deu tapa nas costas e nas orelhas de dois colegas do meu menino e só não alcançou o Jorge porque antes disso alguém o segurou.
Tudo isso numa avenida super movimentada.
Tudo isso numa avenida super movimentada.
Por pouco não acontece uma tragédia, porque na tentativa de se proteger, o amigo do meu filho pulou da bicicleta e naquele momento, uma moto em alta velocidade tirou um fininho deles.
Eu e a mãe de um dos meninos fomos na mesma hora na casa do rapaizinho, conversamos de forma educada com o pai que nos ouviu do portão pra fora.
Falava quase nada, a única coisa que ele disse é: a gente pensa que o menino tá na escola, e aí...
Não sei o real motivo do silêncio mas a impressão que dá é que o guri faz o que bem quer em casa.
Não sei o real motivo do silêncio mas a impressão que dá é que o guri faz o que bem quer em casa.
Senti tristeza ao perceber que um menino de 12 anos não foi preparado para encarar as responsabilidades dos atos que comete.
Se fosse comigo, minha mãe faria com que eu pedisse desculpas e enfrentasse a situação por mais constrangedora que fosse.
Aqui em casa os meninos aprenderam a resolver as suas próprias encrencas.
Quando aprontavam na rua, tinham que se retratar depois, com vergonha ou não, chorando ou não.
Não tinha essa de "depois eu vou falar com ele" ou "não esquenta que isso é coisa de criança", ou "larga pra lá que depois a mamãe conversa com ele".
Entendo que educação, respeito e generosidade a gente ensina e aprende todos os dias.
Criança precisa de alguém para dizer o que é certo.
Criança precisa de alguém para mostrar o caminho que ela deve seguir.
Isso é Educação.
E educar dá trabalho, é um processo diário.
É falar dez vezes a mesma coisa, todo dia, toda hora.
É conhecer o filho que a gente tem em casa.
É conhecer o filho que a gente tem em casa.
É saber com quem anda, onde estava e que horas volta sim senhor.
Aquele senhor por exemplo, nem sabia que o garoto estava faltando a aula.
E se não estava na escola estava onde?
Não dá pra cansar de ser pai e mãe.
É responsabilidade nossa educar e preparar as crianças para a vida.
Pai e mãe só deixam de educar depois que morrem, assim mesmo, alguns pais são tão fantásticos que nos educam através das lembranças e da saudade.
Quando a gente não educa ou tem atitudes que "deseducam" a tendência é que as crianças cresçam totalmente sem limites, angustiados e inseguros.
O que vai ser deste garoto daqui uns anos?
Quem vai estar lá no portão da casa dele?
E no meu portão?
Quem virá nos cobrar alguma coisa?
Os colegas, os pais, a polícia?
Ou será a esposa pra reclamar que o coitado não arruma emprego?
De verdade meus amigos, peço a Deus que nos capacite para educar com amor e com justiça as nossas crianças e que não seja por falta de educação que os problemas nos visitem.
Que daqui uns anos eu possa lembrar desta história somente como um desencontro, um mal entendido, mas que eu consiga dormir tranquila ao ver os meus filhos bem encaminhados e felizes.
Abraço grande para todos os pais de verdade.
"O mundo é um lugar perigoso de se viver, não por causa daqueles que fazem o mal, mas sim por causa daqueles que observam e deixam o mal acontecer." (Albert Einstein)

Liliane, simplesmente estupenda a sua crônica! Sua frase mais lapidar é : " não dá para cansarmos de ser pais." Isso resume muito bem esta missão interminável. Há muitos que sequer assumem tal responsabilidade. Acham que dando conforto material estão cumprindo seu papel. Fazem a parte de mantenedores mas negligenciam a outra tão importante quanto, que é a de educadores. Já se foi o tempo em que podíamos contar com a escola como coadjuvane nesse processo. Hoje, não mais, na msioria das cidades desse país.Portanto, a responsabilidade dos pais aumentou ainda mais no meu modo de ver. Limites, se não os colocarmos, a vida cruel da rua, do mercado vai colocar e isso nunca termina bem, segundo a experiência tem mostrado fartamente e todos os dias. Parabéns pela lucidez. Abraços. paz e bem.
ResponderExcluirSó de pensar me dá uma tristeza.
ResponderExcluirO meu mais velho, também começou a ir para o colégio sozinho esse ano, mas estou sempre preocupada, não com ele, pois confio demais nele, mas com que os "outros" possam fazer a ele.
Mas enfim, um dia temos que deixá-los caminharem com as próprias pernas.
Nós que acompanhamos é bom, mas há muitos pais e responsáveis que são assim mesmo, não fazem idéia de onde seus filhos possam estar ou fazendo o que.
Muito bom post.
Bom final de semana
Xeros
Infelizmente essa educação anda falahndo mesmo.Pena! um beijo,lindo fds,chica
ResponderExcluirFantástica, esta tua abordagem a um dos mais graves problemas de algumas sociedades actuais (brasileira, portuguesa, americana, entre outras), no que respeita à Educação da Criança de hoje. Confundiu-se liberdade com libertinagem, disciplina com servidão, violência com coragem, etc. Educar dá trabalho, requer Amor, persistência, firmeza, disciplina e tudo o mais tão bem referes no teu texto. Como diz o nosso amigo Alex, estão a criar monstros em vez de seres humanos, animais racionais, conhecedores do amor ao próximo...E depois admiramo-nos com as notícias horríveis que lemos nos jornais.
ResponderExcluirBjs. Bombom
Liliane, ser pai e mãe é muito difícil, nem sempre se acerta. Mesmo quando se trabalha para isso.
ResponderExcluirMeus pais tiveram 10 filhos e criaram uma neta, da idade da filha mais nova, como filha. Então, são 11 filhos.
Numa análise direta, eles acertaram.
Isso não quer dizer que somos todos bem resolvidos, ou que alguns não deram trabalho. Mas estamos todos de pé, como bons seres humanos.
Não sei se o pai do menino tomou alguma decisão depois, a sós, com o filho. Se fosse o meu pai, homem reto, não tomaria atitude nenhuma na fente das pessoas, mas sozinho com o filho.
Tomara que o garoto tenha sido devidamente orientado e descubra o prazer de ir à escola, o valor de respeitar os colegas, o privilégio de crescer e se formar honradamente.
Beijo!